Como montar o seu telhado verde usando sistemas prontos

Do alto de sua ampla gama de possibilidades, vantagens e benefícios, os jardins suspensos conquistam aos poucos as coberturas de casas e edifícios. As opções disponíveis conjugam beleza, sustentabilidade, baixa manutenção, conforto térmico e redução da poluição

Por Renato Bianchi

Como montar seu telhado verde usando sistemas prontos | <i>Crédito: Foto: Divulgação
Como montar seu telhado verde usando sistemas prontos | Crédito: Foto: Divulgação
ECOTELHADO


Inteiramente gramada, esta opção do tipo laminar ajuda a diminuir a temperatura interna da casa e a do meio ambiente.

Em comparação com os telhados verdes tradicionais, o sistema laminar da Ecotelhado atua como um piso elevado que comporta um reservatório de captação de água da chuva – retém de 50 a 60 litros por m², dependendo do tamanho e do modelo da estrutura. Isso permite que a irrigação seja feita automaticamente, de forma subsuperficial, sem o uso de água potável. Outra vantagem é que a lâmina d’água abaixo da camada de vegetação fica isolada, evitando mosquitos. A alternativa também oferece conforto termoacústico e aumenta a vida útil da laje e da impermeabilização, uma vez que diminui o calor atuante sobre elas. Por limpar o volume pluvial, o conjunto ainda contribui para a redução da poluição. “As possibilidades de espécies são incontáveis, desde um jardim pequeno com diversas plantas até grandes árvores”, explica Henrique Guimarães, diretor de marketing da empresa. Segundo ele, a única condição é ter a laje previamente impermeabilizada, com um ralo para escoamento e o mínimo de inclinação. A manutenção se restringe aos cuidados que um jardim ou gramado exigem. Os sistemas da Ecotelhado custam a partir de R$ 150 o m², em média.

Reservatório garante economia de água
Captação varia de acordo com tamanho e modelo do sistema, que permite até o cultivo de um parque arborizado na cobertura

- O conjunto opera no sistema de piso elevado, que forma na base um reservatório capaz de reter até 60 litros de chuva por m².

- Propicia isolamento térmico e acústico e atrai biodiversidade, melhorando a relação entre as edificações e o meio ambiente.

- Toda a irrigação das plantas é feita por capilaridade, não havendo contato da água com o ar, o que evita a proliferação de mosquitos.


O sistema laminar utilizado na cobertura de 500 m² desta residência tem como única espécie de vegetação a grama-esmeralda, resistente ao pisoteio.

STUDIO CIDADE JARDIM


Sucesso no exterior, a cobertura verde em plano inclinado também faz bonito por aqui. A residência tem projeto do Studio MK27.

O carro-chefe do Studio Cidade Jardim é o sistema modular, que oferece alto desempenho de drenagem e facilidade de instalação, pois todas as camadas básicas do telhado verde são colocadas dentro de caixinhas de plástico reciclado. “Cada um desses módulos é um vaso para cultivo independente de espécies de qualquer tipo com até 50 cm de altura. Para a montagem, basta colocar os recipientes com substrato sobre a laje impermeabilizada, acomodar as mudas ou sementes e conectar a um esquema de irrigação”, explica Sérgio Rocha, diretor executivo da empresa. Segundo ele, a proposta é oferecer uma opção de revestimento vivo que possa ser facilmente montada e desmontada, mesmo muitos anos depois de plantada. “Caso seja necessário retirar as unidades para fazer reparos na impermeabilização ou uma nova paginação de paisagismo, é possível simplesmente desencaixar esses componentes e alojá-los em outro lugar, sem a necessidade de remover as plantas, a terra e a drenagem”, esclarece. A irrigação pode funcionar por aspersão, gotejamento ou capilaridade, e a versão extensiva e completa sai por R$ 180 o m² (em São Paulo).

Mobilidade e praticidade são diferenciais
Além de poder ser instalado como um jogo de montar, modelo assegura escoamento eficiente e circulação de ar para as raízes

- O sistema retém 17 litros por m² de chuva nos copinhos sob o substrato. As plantas absorvem essa água de forma passiva.

- As sucessivas camadas são colocadas nos módulos de plástico reciclado de 50 x 50 cm e 7,5 cm de altura.

- Uma haste no sistema de travamento aumenta a segurança e a estabilidade do conjunto.

- As raízes das plantas atingem os reservatórios, suprindo a necessidade de umidade na medida exata.



Com inclinações a partir de 10 graus, é preciso reforço estrutural nos beirais para suportar o acúmulo de sobrecargas na base, além de estruturas para evitar tensões de deformação e deslizamento de materiais. Também é importante aplicar proteção extra contra erosão do substrato.

SKYGARDEN


Na proposta em dois níveis, a manutenção equivale à da jardinagem comum: poda, adubação, controle de pragas etc.

O produto da SkyGarden não usa caixas plásticas, como a grande maioria dos modelos disponíveis no mercado. A tecnologia da empresa de soluções para áreas verdes sustentáveis é composta de mantas. “Isso permite sua utilização como um jardim convencional e possibilita maior diversidade de espécies para o paisagismo”, explica Kelly Mimura, arquiteta da SkyGarden Envec. A empresa oferece telhados verdes com espessuras de 4, 5, 7, 10 e 20 cm. O sistema acumula uma média de 40 litros de água por m² (na espessura de 10 cm) e reduz a necessidade de chuvas e rega em até 60%. Segundo Kelly, as tecnologias de irrigação automatizada da SkyGarden (aspersão ou gotejamento) ajudam a economizar água e fazem a vegetação otimizar seu consumo, evitando a excessiva liberação hídrica pela planta. Resultado: o consumo de água para o tapete verde oscila entre 3 e 5 litros por m² a cada irrigação. O preço varia de acordo com a metragem – quanto maior, menor o valor. Por exemplo, 10 m² (com 7 cm de espessura, instalado, em São Paulo) custam R$ 621 o m², enquanto 100 m² saem a R$ 287 o m². A instalação é rápida: 10 m² de qualquer tipo podem ser colocados em um dia.

Opção com mantas reproduz jardim convencional
Estrutura em camadas, sem módulos plásticos, permite maior durabilidade e variedade de plantas para o paisagismo

- O sistema é composto de mantas: lona plástica, manta geodrenante e manta de geotêxtil sob o substrato Premium.

- O substrato retém parte da água da chuva e da irrigação. O excesso é filtrado pelo conjunto e pode ser reservado em uma cisterna.

- O telhado verde diminui a temperatura da laje e a do ambiente interno abaixo dele em até 6 °C, protegendo a impermeabilização da cobertura contra a dilatação.



A cobertura principal recebeu o modelo SkyGarden Slim, com espessura de 4 cm e grama-esmeralda. O nível intermediário, mais baixo, tem 10 cm e usa grama-são-carlos.


OUTRAS EMPRESAS DO SEGMENTO

Veja quem trabalha com diferentes sistemas, modelos, preços e benefícios – para coberturas de todos os tamanhos

Zinco
De origem alemã, possui alternativas para coberturas planas, inclinadas (até 35 graus) e curvas, com irrigação integrada. Os modelos extensivos da ZinCo usam vegetação que consome pouca água. Os intensivos comportam alta gama de espécies: de gramados a árvores. Preço médio (extensivo, para o Sudeste: R$ 170 o m²). www.zinco-greenroof.com.br

Remaster
O sistema Tec Garden, com piso elevado, tem um vão sob a cobertura natural para reter a água. Ela satura o substrato e acumula o Excedente para fazer a autoirrigação. “Como a água é de boa qualidade, pois passou pela vegetação, é possível usá-la para lavar o Imóvel”, diz Paulo Jubilut, diretor da Remaster. Preço médio sem substrato: R$ 220 o m². www.remaster.com.br

Quadro Vivo
A opção de teto verde modular da marca emprega bandejas com reservatório que capta a chuva e a fornece à vegetação por capilaridade (fios especiais transportam a água para que as espécies a absorvam de acordo com a necessidade). A rega é automatizada. Preço médio da linha Beija-Flor: R$ 132,75 o m². www.quadrovivo.com

Ecocasa
Trabalha com a versão modular, que consiste em placas de plástico PP reciclado com compartimentos inferiores para reserva de água. O líquido chega às plantas de várias maneiras: gotejamento, aspersão ou mangueira. O preço aproximado é de R$ 250 o m² Instalado (no estado de São Paulo). www.ecocasa.com.br 


RAIO X DE UM TELHADO VERDE

Entenda como funcionam as coberturas prontas e confira as precauções necessárias para mantê-las eficientes, bonitas e saudáveis

Atual x tradicional
Qualquer sistema de telhado verde deve simular as camadas de um solo natural. Assim, a vegetação cultivada faz as vezes da original, o substrato leve substitui o solo, um reservatório de água desempenha o papel do lençol freático, uma camada drenante executa a função de uma rocha em decomposição e a impermeabilização ocupa o lugar da rocha sólida. “Enquanto a fórmula tradicional chega a utilizar camadas de 40 cm de terra para cultivar um gramado (impondo sobrecargas estruturais acima dos 500 kg/m²), um sistema moderno entrega um gramado de mesma funcionalidade com uma camada total de apenas 15 cm e peso extra abaixo de 120 kg/m²”, explica Sérgio Rocha, diretor executivo do Studio Cidade Jardim.

Intensivo x extensivo
Segundo Sérgio, é possível cultivar qualquer planta. A diferença se dá quanto ao tipo de uso e manutenção: intensivo ou extensivo. "Um telhado verde intensivo pode ser uma horta, um gramado ou uma praça com múltiplas espécies. Neste caso, há sempre demanda frequente de cuidados tanto de horticultura (podas, adubação, replantio etc.) quanto da infraestrutura de apoio (limpeza, manejo de drenagem, ancoragem de árvores etc.). Já um telhado verde extensivo não tem uma expectativa de utilização frequente e prevê apenas acesso esporádico para ações preventivas”, orienta.

Manutenção, sim
Mesmo se você tiver um telhado verde extensivo com vegetação que dispense podas e adubações frequentes, é recomendada ao menos uma verificação preventiva a cada seis meses, para checagem dos ralos/drenos e retirada de mudas de árvores ou arbustos que possam surgir sobre a camada de cultivo. “É comum encontrarmos goiabeiras, figueiras e palmeiras crescendo em meio às plantas da cobertura natural. Como o vento, os pássaros e os morcegos dispersam incessantemente as sementes, não há possibilidade de haver manutenção zero”, conclui.


POSSO TER UM DESSES EM CASA?

Existem quatro pré-requisitos técnicos que devem ser conferidos antes de iniciar a montagem de uma cobertura ecológica, segundo Sérgio Rocha, diretor executivo do Studio Cidade Jardim. São eles:

1. Sobrecarga
Para não haver riscos, é preciso dimensionar qual será o peso do telhado verde quando estiver completamente saturado de água e com a vegetação no limite máximo do crescimento.

2. Impermeabilização
Como todos os atuais modelos disponíveis são permeáveis, a laje ou cobertura deve estar totalmente impermeabilizada, estanque e testada contra vazamentos. Se a ideia for cultivar um gramado ou arbustos, é fundamental o uso de uma manta com proteção antirraízes na base.

3. Saídas para água pluvial
Qualquer cobertura deve ter as saídas (ralos ou calhas) dimensionadas em função da área de contribuição e do índice de chuvas local – a regra básica é a mesma de quando a laje fica exposta, ou seja, não deixar acumular água. O sistema de revestimento do telhado verde não deve interferir negativamente no escoamento, para evitar sobrepeso e mau desenvolvimento das plantas. 

4. Abastecimento
Também é importante prever um ponto de fornecimento de água no nível da laje/cobertura e outro de energia elétrica para automação da irrigação, caso ela seja feita de forma externa.

05/10/2016 - 18:27

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