Arquiteto discute cidades em canal do YouTube

Em vídeos de curta duração, Guto Requena conversa com importantes convidados sobre temas urbanos

Por Silvia Gomez

Um dos episódios de Design Hoje! analisa o processo de transformação urbana e arquitetônica em marcha no Rio de Janeiro, impulsionado pelas Olimpíadas 2016 | <i>Crédito: Foto: Divulgação
Um dos episódios de Design Hoje! analisa o processo de transformação urbana e arquitetônica em marcha no Rio de Janeiro, impulsionado pelas Olimpíadas 2016 | Crédito: Foto: Divulgação
Já em sua segunda temporada, o programa Design Hoje! (www.youtube.com/gutorequena), do arquiteto paulista Guto Requena em parceria com a Gafisa, explora um tema urgente e atual: a vida nas cidades. Com pequenas doses de três minutos, cada miniepisódio conta com um convidado, entre eles, o arquiteto Ruairi Glynn, diretor do Laboratório de Arquitetura Interativa da Bartlett School of Architecture, em Londres, que aparece no episódio sobre economia compartilhada, edifícios sustentáveis e novas interfaces. A seguir, leia uma entrevista exclusiva com Guto Requena sobre o projeto.

Arquitetura & Construção: Você chamou essa leva de vídeos de
Cidade-se. Por que o tema?

Guto Requena: A ideia central foi ampliar a escala do design para tratar da cidade e do que podemos fazer para melhorar nossa qualidade de vida. Arte pública, mobilidade, ocupação de áreas abandonadas, fechamento de avenidas para carros e abertura para pessoas. Escolhas importantes que irão definir nosso futuro. Não podemos esperar o poder público resolver tudo, é necessário agir mais, ocupar, retomar o que nos pertence: a rua. É preciso hackear a cidade. Tive o prazer de conversar com pessoas admiráveis, sintonizadas com tempos melhores.

A&C: O que te marcou nessas entrevistas?
GR: O arquiteto Guilherme Wisnik perguntou: “Qual a cidade na qual queremos morar?” Está em nossas mãos decidir isso e entender a importância de abandonar a cultura do medo para escolher um modelo mais coletivo e fraterno.

A&C: Como analisa as últimas eleições e as novas propostas?
GR: Em São Paulo, por exemplo, a gestão do prefeito Fernando Haddad está longe de ter sido perfeita, mas foi uma das melhores em termos de cuidado urbano ao criar ciclofaixas e corredores de ônibus. Foi uma transformação cultural, acima de tudo. Algo simbólico acontece quando se leva uma criança para uma avenida como a Paulista fechada, num domingo, onde pode-se conviver com as diferenças e aprender que  a rua é nossa. Espero que a nova gestão exerça o diálogo e não volte a priorizar a vida no carro, nos condomínios fechados e nos shoppings.

A&C: Qual o papel do arquiteto numa era de metrópoles tão complexas?
GR: O designer urbano será mais importante do que nunca. Vamos enfrentar desafios gigantes como falta de espaço, catástrofes naturais, poluição, mobilidade e problemas de moradia. O modelo latino-americano de cidade segregada, separando ricos e pobres, deverá ser revisto. É vital ter mais cursos de urbanismo formando profissionais envolvidos com mobiliário público, comunicação visual, calçadas e praças. As novas tecnologias digitais serão parceiras fundamentais nesse processo.

29/12/2016 - 14:00

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