Nova morada nasce repleta de história

Casa traz fragmentos daquela que antes existia ali e outros trazidos na mudança de sua proprietária

Por Amanda Sequin (texto), Carolina Diniz e Deborah Apsan (Visual) | Projeto Grupo Garoa

O escritório e o canto de leitura contam com janelões que suprem o espaço de claridade | <i>Crédito: Foto: Evelyn Müller
O escritório e o canto de leitura contam com janelões que suprem o espaço de claridade | Crédito: Foto: Evelyn Müller
"Morei cerca de 25 anos numa casa na Vila Madalena, em São Paulo. Depois que meus filhos se mudaram, comecei a me preparar para vendê-la. Desejava um lugar mais simples e prático, só para mim e meus dois cachorros. Durante um ano, fiquei de olho num sobradinho bem velho, localizado na rua de trás, até que consegui arrematá-lo por um bom preço.

Resolvida a compra, quando ia dormir mergulhava em ideias para a reforma, até finalmente pegar no sono. Sempre gostei de pensar sobre jeitos de morar. Acho que, se não fosse jornalista, seria arquiteta! Imaginava uma espécie de loft, com pé-direito alto, integração entre cozinha e sala e construído de forma que deixasse tudo à mão. Esse passatempo noturno parou assim que contratei o Grupo Garoa para elaborar o projeto. Os arquitetos aconselharam demolir tudo e fazer do zero. Essa não era a solução mais econômica, porém chegamos a um acordo. Daria um trabalho extra, mas seria uma opção sustentável: reaproveitaríamos ao máximo os materiais na nova edificação. De quebra, consegui autorização para trazer muita coisa da antiga morada, visto que sua demolição já estava prevista. Misturamos, de ambas, tijolos, madeiras, pias, torneiras, vitrôs, lustres...

Entre janeiro e novembro de 2014, o sonho ganhou forma. Depois de tantos anos vivendo no mesmo local, é muito reconfortante olhar para cada uma dessas peças, lembranças preservadas da minha história. Listei, no início, os problemas da residência anterior, dos quais queria passar longe. E tudo deu certo! O mais engraçado é que, antes, eu descia escadas para entrar nela, estava sempre ‘para baixo’ porque o terreno era em declive, e a área social ocupava a parte inferior. Agora tenho a impressão oposta, pois subo da garagem para encontrar sala e cozinha e preciso vencer mais um lance de escadas até o escritório e o quarto, no mezanino. Além de estar bem acima do nível da rua, também me sinto envolvida pela cidade, com tantos vidros ao meu redor. É uma sensação prazerosa."

Por Silvia Campolim
, moradora

06/01/2017 - 14:30

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