Esta casa em Trancoso é um oásis de relaxamento

A charmosíssima Trancoso vive seduzindo forasteiros. Entre eles, cinco irmãos que fizeram esta casa para o lazer da família. Os proprietários são paulistanos e o arquiteto é carioca, mas a construção respira o melhor da tradição local

Texto: Cristiane Teixeira | Visual: Marjory Basano

Cajueiro, oiti, biribazeiro e outras árvores originais do terreno produzem uma sombra generosa na faixa gramada que vai da casa à praia. Para que não atrapalhassem a vista do mar, tiveram os galhos mais baixos podados. Note como a varanda coberta evita que o sol incida diretamente sobre a fachada, aplacando o calor que pode chegar aos 37 ºC no auge do verão. | <i>Crédito: Foto: Marco Antonio
Cajueiro, oiti, biribazeiro e outras árvores originais do terreno produzem uma sombra generosa na faixa gramada que vai da casa à praia. Para que não atrapalhassem a vista do mar, tiveram os galhos mais baixos podados. Note como a varanda coberta evita que o sol incida diretamente sobre a fachada, aplacando o calor que pode chegar aos 37 ºC no auge do verão. | Crédito: Foto: Marco Antonio
Avila tem um feitiço sem farofa / Sem vela e sem vintém / Que nos faz bem / Tendo nome de princesa / Transformou o samba / Num feitiço decente / Que prende a gente.” Trancoso não tem nome de princesa e foi-se o tempo em que vinténs circulavam por seu centrinho, o Quadrado. Mas, tal qual a Vila Isabel de Noel Rosa (1910-1937) – celebrada em Feitiço da Vila –, o vilarejo no litoral sul baiano produz um encanto que prende quem por lá coloca os pés. Os que não ficam para sempre dão um jeitinho de voltar com frequência, e assim a rústica Trancoso descoberta por hippies nos anos 70 foi somando múltiplos sotaques. E, com eles, casas assinadas por arquitetos para gente de todo o Brasil. Esta é uma dessas histórias. Nem a distância de 1 500 km roubou dos cinco irmãos de São Paulo a determinação de realizar uma velha ideia do pai: construir um endereço de veraneio aqui. Inútil querer saber quando tudo começou. “Faz mais de dez anos que meu pai morreu, e foi ele quem pediu o primeiro esboço”, lembra uma filha. Fato é que, há pouco mais de um ano, o refúgio de 557 m2 passou a hospedar, em diferentes momentos, os quase 20 membros do clã, do neto de 9 anos à avó de 85. O projeto criado pelo arquiteto Claudio Macedo levou 18 meses para ser erguido com estrutura de concreto e paredes de tijolos furados. É ideal para fazer frente ao calor intenso, às chuvas que têm período e hora certos para cair e ao vento constante. Carioca que adotou a região há mais de duas décadas, Claudio traçou uma planta espaçosa, por onde a brisa circula a convite das generosas venezianas de madeira, parte delas sem vidro. Na ampla área social, com pé-direito de 4,50 m, o ar aquecido sobe e vai saindo pelo telhado sem forro, coberto com taubilhas de madeira – um daqueles ingredientes típicos de Trancoso, que enfeitiçam.

23/02/2017 - 14:00

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