Marcenaria é a estrela do projeto

No apartamento paulistano de 58 m², o painel de madeira não é apenas parte das soluções em nome da amplitude, mas sim protagonista. Ele surge como elemento versátil e contínuo separando e ligando ambientes, organizando e setorizando usos na casa

Por Deborah Apsan (visual) e Silvia Gomez (texto) | Projeto Metamoorfose

Destaque do apartamento, a porta-camarão de freijó substituiu a parede entre quarto e sala. “Esse tipo de fechamento possibilita a máxima abertura do vão, ocupando pouco espaço quando recolhido”, afirma a arquiteta Aline D’Avola, que assina a reforma. Na parte fixa (à esq.), esconde-se o lavabo. | <i>Crédito: Foto: Maíra Acayaba
Destaque do apartamento, a porta-camarão de freijó substituiu a parede entre quarto e sala. “Esse tipo de fechamento possibilita a máxima abertura do vão, ocupando pouco espaço quando recolhido”, afirma a arquiteta Aline D’Avola, que assina a reforma. Na parte fixa (à esq.), esconde-se o lavabo. | Crédito: Foto: Maíra Acayaba
Às vezes, um único elemento pode resumir a identidade inteira de um projeto, o que parece ser o caso do comprido painel de madeira clara que setoriza este apartamento. Com seu mecanismo de fechamento do tipo camarão, ele conseguiu servir como solução à principal questão do imóvel, sua metragem exígua, de 58 m². “O conceito foi criar algo que trouxesse unidade arquitetônica e também integrasse os ambientes. Com essa divisória no lugar da antiga parede, conseguimos oferecer a leitura total do espaço e ao mesmo tempo separar funções, quando necessário”, fala a arquiteta Aline D’Avola, autora do trabalho ao lado de André Procópio, ambos sócios no escritório paulistano Metamoorfose.

No dia a dia dos moradores, o casal Maíra Garcia Marques Scabbia e Eduardo Marinho Scabbia, a peça permanece fechada. “Como o meu armário de roupas fica na área do segundo quarto, bem atrás dele, acabo usando o lugar como closet. Mas, em situações com visitas, escancaramos tudo e ganhamos um estar amplo”, conta Maíra. Nessa grande sala, misturam-se então cozinha, mesa de refeições e varanda, esta transformada em home theater.

Em tal contexto, manter a organização poderia ser um desafio, dificuldade clássica de quem vive em casas pequenas. “Por isso, tentamos aproveitar cada centímetro. Atrás da porta do lavabo e na passagem do dormitório para o banheiro do casal, por exemplo, desenhamos nichos para guardar objetos”, detalha Aline. 

Toda a marcenaria parece se desdobrar num volume único e limpo – não há nem puxadores à vista – que segue até a cama, nos fundos da planta. A ideia de continuidade visual é repetida no piso, o mesmo porcelanato cinza aplicado em todos os cômodos, inclusive no terraço, medida capaz de reforçar a ilusão de amplitude. Ou melhor, sensação mais do que real. “A obra de fato otimizou o apartamento, que também conquistou flexibilidade”, aprova a proprietária Maíra.

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26/08/2016 - 17:00

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