Boas soluções marcam cada canto do apê de 35 m²

Poderia ser só mais uma divisória comum entre sala e cozinha, mas por que não torná-la a marca do apartamento em São Paulo? Amarela e brilhante, a moldura laqueada dita o humor da reforma pensada para o dia a dia de um solteiro

Por Juliana Corvacho (visual) e Silvia Gomez (texto) | Projeto Léo Shehtman

Na reforma, moldura substituiu a parede entre a sala e a cozinha. | <i>Crédito: Martín Gurfein
Na reforma, moldura substituiu a parede entre a sala e a cozinha. | Crédito: Martín Gurfein
Em um apartamento de enxutos 35 m², uma inofensiva parede entre sala e cozinha pode comprometer bastante a percepção do espaço. Posto abaixo na atualização assinada pelo arquiteto Léo Shehtman, tal elemento foi substituído neste projeto por uma inesperada moldura amarela, chumbada no teto e suspensa do chão. “Ela divide os ambientes e cria um foco visual forte no estar, servindo ainda de balcão de refeições”, define Léo. À frente dessa caixa flutuante, organiza-se a área social, resumida a um sofá, duas cadeiras e um móvel híbrido de estante, bancada de escritório e painel para a TV. “Utilizei essa marcenaria para isolar o único quarto, servido do outro lado por um guarda-roupa com portas revestidas de espelhos.”

Por falar nos elementos refletivos, repare como estão por toda parte aqui. “As superfícies espelhadas parecem duplicar a área, além de multiplicar a luz”, ensina o arquiteto.

Como contraponto, os acabamentos se concentraram nos tons de cinza, caso do piso de porcelanato com aparência de concreto aplicado em toda a extensão da planta para um efeito de continuidade – o olhar o acompanha do living até o banheiro. Neste cômodo, os usos foram divididos e o trecho da pia permanece de fora, à mostra, podendo assim ser utilizado também apenas como lavabo, quando há visitas.

O desenho de todo o mobiliário priorizou a linha reta. “Nada de formatos excêntricos que pudessem poluir a metragem diminuta”, observa Rodrigo Zuliani Hauck Zampol, integrante da equipe do escritório de Léo. Nesse contexto, fica evidente a importância da iluminação artificial: calculada para cada ponto, ela se vale da abertura de rasgos e de spots embutidos no forro de gesso, ora alongando, ora evidenciando o espaço.

16/08/2016 - 21:12

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