Apê de 50 m² não tem paredes internas

A única divisória desta morada no centro de São Paulo é o painel de vidro que isola o banheiro. Todo o resto é integrado em prol da entrada de luz natural e da sensação de amplitude

Por Deborah Apsan e Elena Caldini (visual) e Silvia Gomez (texto) | Projeto Casa 100 Arquitetura

O baú de 0,30 x 0,90 x 2,80 m é responsável por delimitar quarto e sala, assumindo o papel duplo de cabeceira e aparador. Ao fundo, a marcenaria serve tanto à TV como à cozinha. Na parede, aplicou-se pintura de lousa (Suvinil, esmalte fosco preto). | <i>Crédito: Foto: Paulo Santos
O baú de 0,30 x 0,90 x 2,80 m é responsável por delimitar quarto e sala, assumindo o papel duplo de cabeceira e aparador. Ao fundo, a marcenaria serve tanto à TV como à cozinha. Na parede, aplicou-se pintura de lousa (Suvinil, esmalte fosco preto). | Crédito: Foto: Paulo Santos
Apesar de generosa, a varanda era a única fonte de luz natural do apartamento de 50 m² comprado ainda na planta por João Sá, ator, e Rodrigo Forlani, advogado. Não desperdiçá-la, portanto, era uma das maiores preocupações do projeto assinado pelos arquitetos Diogo Luz e Zé Guilherme Carceles, sócios no escritório Casa 100 Arquitetura. Por essa razão – e em nome da sensação de amplitude para a área exígua –, não se vê nenhuma parede interna setorizando os ambientes. A única que existia, a do banheiro, foi substituída por uma folha de vidro jateado, capaz de vedar o local sem comprometer sua privacidade, captando a luminosidade. Nesse contexto, até o quarto fica aberto, resguardado por persianas quando há hóspedes. “Um baú separa a cama do sofá, assumindo as funções de cabeceira com nichos, armário e também divisória. Com 90 cm de altura, ele cumpre vários papéis sem no entanto formar uma barreira visual”, diz Zé Guilherme.

Do outro lado, à frente do sofá, uma grande bancada cinza, com 5 m de comprimento, se desdobra em home theater e cozinha, acomodando a TV e seus equipamentos, do lado esquerdo, e pia e fogão, mais à direita. 

O charme desse trecho está no colorido da marcenaria, laqueada com três nuances de verde, pensadas para fazer par com o azul maciço do terraço, parte da fachada do prédio. “A ideia era proporcionar uma linguagem contínua. Num imóvel compacto, é melhor evitar muitos elementos diferentes”, ensina Zé Guilherme. Essa uniformidade é reforçada pelo cinza, onipresente no revestimento cimentício do chão ao teto. Como terceiro material, surge a acolhedora madeira: o pínus foi a espécie escolhida para compor o guarda-roupa, volume de destaque na face oposta, na ala do dormitório.

Aproveitada em cada centímetro, a varanda concentra mesa de jantar, estante para livros, máquina de lavar roupas e até o refrigerador de ar, aparelhos escondidos atrás de insuspeitos painéis. “É um espaço social, mas também lavanderia. Tudo junto e organizado”.

23/08/2016 - 20:00

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