Martha Thorne: por dentro do Pritzker

Ela responde pelo cargo de diretora executiva do maior prêmio da área e concedeu uma entrevista exclusiva para Arquitetura & Construção

Por Silvia Gomez

Martha Thorne, diretora executiva do Prêmio Pritzker | <i>Crédito: Foto: Divulgação
Martha Thorne, diretora executiva do Prêmio Pritzker | Crédito: Foto: Divulgação
Desde 2005, a arquiteta Martha Thorne responde pelo cargo de diretora executiva do maior prêmio da área, que elegeu este ano o chileno Alejandro Aravena. Apesar de trabalhar junto ao júri, Martha não participa da votação. Ela também leciona na universidade IE School of Architecture & Design, em Madri, na Espanha.

Como você encara a questão do gênero na arquitetura?
Olho para esse tema sob duas perspectivas: como ele me afeta na vida e na carreira e num contexto maior, da prática feminina mundial. Do ponto de vista pessoal, minha posição se parece com a de outras mulheres – a sensação de ser minoria e a pressão para provar sua capacidade. No meu caso, após mais de 30 anos de estrada, somente agora estou recebendo reconhecimento. No nível mais amplo, olho para a situação das mulheres, as quais ainda ganham menos, por exemplo. Além disso, muitas estudantes largam o curso antes de se formar e, entre os cargos de direção, há menos e menos delas. Nem toda mulher se sente discriminada, mas, quando analisamos as estatísticas, fica claro que ela ainda não tem o lugar que merece. Em pleno século 21, deveríamos estar mais à frente na igualdade de gênero. Estamos perdendo muito em não reconhecer esses talentos.

De que forma esse quadro se mostra internacionalmente?
É muito similar em todo o mundo. Isso não se resolverá se não formos proativas em relação a como as decisões são tomadas e contra os estereótipos. Zaha Hadid e Kazuyo Sejima foram as únicas mulheres a levar o Pritzker e há uma petição online para reconhecer Denise Scott Brown, cujo sócio, Robert Venturi, ganhou sem ela, em 1991.

Como avalia isso?
O Pritzker é um prêmio tradicional no sentido de ter sido criado para reconhecer obras construídas e, em alguns casos, reflete a sociedade. Ele procura a excelência pelo mundo, porém qual é o conceito de excelência? Estamos tentando prestar atenção a profissionais que não se encaixam na definição padrão de arquitetura, e espero que isso aconteça. No entanto, eu não voto, nem influencio o júri, que não poderia voltar atrás e dizer: “Aquela não foi uma boa decisão, em
1991”. Foi a decisão correta naquele ano, naquela situação. Os jurados estão conscientes da questão da mulher, mas também querem entender a arquitetura no contexto internacional e o que está acontecendo em locais como a África. O vencedor deste ano, Alejandro Aravena, vem atuando na expansão da profissão de forma positiva.

08/03/2016 - 07:30

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